"Nosso corpo é maravilhoso!
Dentro tem tesouro.

Quando treinando firme, treino, treino, treino... corpo parece derreter.

Então, verdadeiro de si mesmo aparece. Espírito que brilha!"

Rua Cunha Gago, 798 - Pinheiros

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MESTRE TAKETO OKUDA

Taketo Okuda, mestre da academia de karatê Butoku-kan e um dos melhores karatecas do mundo, é o maior guardião da tradição dessa milenar arte marcial no Brasil. Discípulo de Masatoshi Nakayama (que por sua vez foi aluno de Gichin Funakoshi), Okuda é um fervoroso defensor dos aspectos espirituais desse tipo de arte marcial, que muitas vezes é percebida (e praticada) apenas como uma técnica de luta e não como um processo de evolução do espírito do praticante.

 

A filosofia zen de karatê ensinada pelo mestre Taketo Okuda, ex-professor de várias universidades do Japão, leva em conta que a luta, a competição, e o desejo de derrotar outra pessoa são detalhes que acabam desviando a atenção da finalidade principal do treinamento diário: a eterna batalha do ser humano consigo mesmo e a descoberta de um espírito vigoroso, próximo do sublime.

 

"A filosofia do karatê é verdadeira e profunda. Karatê não é só vencer ou perder uma luta. Vista por este ângulo a prática se torna fútil e vazia", explica mestre Okuda. "Nós temos como finalidade o invisível, aquilo que não tem limite de tempo, de espaço", completa. Aos poucos os alunos de sua academia vão se dando conta do que isso significa no dia-a-dia: além de seqüências de ataque e defesa e das inúmeras repetições feitas em aula, aprende-se boas maneiras, sinceridade e coragem, ensinamentos que dificilmente serão encontradas em outros tipos de treinamentos.

 

No Japão, a vida de mestre Okuda está ligada à prática das artes marciais desde a infância. Aos 5 anos, por influência do pai, começou a praticar kendô (ou "o caminho da espada") quase todos os dias, sempre às 6 horas da manhã. Essa rotina se manteve até os seus 9 anos de idade, quando começou a treinar judô com uma turma de atletas mais velhos que estudavam numa faculdade próxima. Aos 13, com a ajuda de um amigo que já praticava karatê, descobriu a arte que o influenciaria e o acompanharia pelo resto de sua vida. "Naquela época enxerguei o karatê com olhos curiosos, porque vi que o treino de kata parecia uma dança. Na minha cabeça, nem o judô nem o kendô ofereciam algo parecido, tão completo, e ainda por cima parecido com dança", conta.

 

Quando se mudou para Tóquio com a finalidade de continuar os estudos, mestre Okuda filiou-se a uma academia ligada à Japan Karate Association (JKA) e rapidamente ascendeu na hierarquia, conquistando sua faixa-preta aos 19 anos de idade. Ao completar 22 anos, Okuda recebeu de mestre Nakayama o convite que mudaria sua vida: tornar-se profissional do karatê e, a partir daí, consagrar-se como um dos melhores professores que a JKA já formou em sua rigorosa escola.

Gichin Funakoshi - fundador do Karatê Shotokan

Sensei Taketo Okuda em campeonato

RUMO AO BRASIL

 

Cumprindo a política de difundir a arte do karatê pelo mundo, mestre Nakayama fez planos para um dos seus melhores alunos. "Ele me disse que eu deveria ir para a Austrália", conta Okuda. "Mas já nessa época eu tinha o Brasil como objetivo; era um destino que estava no meu imaginário havia anos". E o sonho acabou se cumprindo quando, no inicio da década de 70, mestre Okuda montou a primeira sede da academia, na Rua Vergueiro. De lá para cá, o karatê da Butoku-kan, cada vez mais puro e próximo daquele dos antepassados, evoluiu juntamente com a filosofia de mestre Okuda, que foi ganhando formas mais sofisticadas, abrindo uma fonte potencial de força interior em todos os seus alunos. "Por que nasceu esse karatê? Qual seria a origem? Essa é uma procura infinita", filosofa sensei Okuda. "É por isso que treino diariamente. É por causa dessa busca infinita pela perfeição.

 

Meu desafio é um dia mostrar qual é a verdade do karatê. É meu trabalho, minha missão", complementa.

 

Ricardo Lombardi (Jornalista e aluno)

Sensei Masatoshi Nakayama e Sensei Taketo Okuda